17 de novembro de 2014

Alimentar Afectos

Sexta e sábado à noitinha... 
A mesa posta. As velas acesas. 
Os pratos floridos e os copos vintage da Atlantis que raramente saem do armário.
Um par de horas na cozinha. 
O avental posto e uma mão cheia de temperos. 
O coração leve e sereno. 
A barriga já a ir contra o balcão. 
Ao longe o "Free Falling" do Tom Petty a soar no rádio.

Sexta...
Rever amigos de uma vida.
Abraçar as meninas que cresceram tanto.
Os nossos sorrisos cúmplices de quem diz "qualquer dia somos nós" quando uma delas entorna a água e puxa os fios da TV.
A alegria de receber tantos mimos para o sorriso que vai nascer.
Ouvir a mais velha pronunciar o nome da nossa bebé enquanto me faz festas na barriga.
Os nossos sorrisos cúmplices de quem diz "qualquer dia somos nós" quando uma delas entorna a sopa e se ri com ar maroto.
Uma despedida com a promessa de que é só um até já!

Sábado...
Íamos ser 4 mas numa surpresa... sentamo-nos 5.
Conversas e risos como se o tempo não passasse por nós.
O nosso entusiasmo a mostrar o quarto dela.
A alegria de um casamento que chegará para o ano!
Uma sobremesa bomba da qual só provei uma colherada.
A delícia que é ouvir os relatos das férias lá longe.
Uma despedida que dura uma hora enquanto continuamos a conversa no hall da entrada.

Domingo...
A mesa posta noutra casa.
Os sorrisos na porta da entrada quando a minha barriga entrou à minha frente.
Todas as tias maternas reunidas à mesa.
A avó que, não estando já entre nós, se fez presente.
Fotografias para a posteridade.

Assim foram estes dias. 
E como eu já uma vez disse: Quem disse que Amor não enche barriga?

15 de novembro de 2014

Inveja (boa)...

... só mesmo das pessoas que conseguem dormir de barriga para baixo e que podem comer queijo fresco!

13 de novembro de 2014

Prevenção?!

Uma medida tão estúpida quanto o anúncio da Vodafone..
Estes "amaricanos" não aprendem!
http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN0IV29P20141111

Gostei especialmente da parte em que o especialista diz que esta medida:
"Pode levar a menos ferimentos e talvez salvar vidas."

Oh sim.. isto descansa qualquer coração de mãe!

Ironia

.... Levar a vacina da gripe num dia e no dia seguinte ficar de molho com dores de garganta, dores de cabeça, dores do corpo e calafrios!

4 de novembro de 2014

Sai um bidón de vinagre!

As sessões sobre Direitos Humanos nas escolas continuam com saldo muito positivo mas há dias apanhei uma professora que não é deste mundo.
Estava numa turma de 4ºAno e eram uns doces aqueles miúdos. O tema era a Igualdade e a Não-Discriminação. Os garotos foram super colaborantes, interessados e a sessão estava a correr tão bem.
Às tantas, um pequenote que estava sentado no fundo da sala levantou o braço para também dar a sua achega. A professora revirou os olhos como quem diz: "Lá vem este outra vez!"
Só isso já me caiu tão mal.. mas o que ela disse a seguir, e considerando o contexto onde estávamos, deixou-me de queixo caído.

Tentando ignorar os olhos reprovadores da professora, dei a palavra ao garoto, que entusiasmado fez a sua partilha. Quando ele terminou tinha um sorriso triunfante no rosto e os olhinhos brilharam quando eu lhe agradeci a participação.  

A isto a professora retorquiu com ar desenxabido: "Mas esse não interessa muito.... é cigano!"

O QUÊ?? 

Podia tê-la rachado ao meio e culpar as hormonas mas limitei-me a pôr um sorriso amarelo e dizer um firme: "A opinião de TODOS conta.. até porque hoje falamos de IGUALDADE e NÃO-DISCRIMINAÇÃO!!" 

Ela manteve-se calada até ao fim da sessão mas não aprendeu nadinha.
Já à minha saída uma menina pediu se podia ir à casa-de-banho beber água. Aquela tótó respondeu à bruta e disse: "Água?? Devias ter bebido no intervalo que isto também já são direitos a mais!!" 

Oi?? Beber água... direitos a mais??
A sério???

Podia tê-la rachado ao meio (outra vez!!) mas fiz uma coisa, que sei ser MUITO anti-pedagógica. Que se lixe a ética que a miúda tinha sede bolas!!
Ignorei completamente a professora e disse à miúda: "Vai num pé e vem no outro!"
Ela correu feita uma seta e lá foi. Empatei um pouco à espera que ela voltasse para não ser recebida à má fila pela professora. Só então me despedi dos miúdos e lancei um sorriso amarelo à parvalhona a dizer tipo "Não penses que não topei a besta que és!!"

1 de novembro de 2014

Medos

Tive há dias o segundo momento em que não gostei especialmente de estar grávida. Não no sentido de não querer estar, apenas a sentir que as mudanças no corpo são de tal ordem profundas que não controlo mesmo nada do que me está a acontecer. 
E isso... assusta-me.

Têm sido noites desesperadas com dor ciática e sem nenhuma posição para dormir. Um cansaço imenso, um corpo e alma a pedirem repouso e em troca: dor, incómodo, dificuldade em respirar, tensão baixa, um relógio a marcar mais um minuto, e outro e outro...

Uma madrugada, já desesperada com a dor, e atormentada pela culpa, levei as mãos à barriga e vi-me, num lamento, a pedir desculpa a este pequeno ser que cresce dentro de mim.

Faltam três meses. 
A barriga vai crescer (ainda) mais.
O espaço lá dentro será mais e mais pequenino. 
A probabilidade da ciática melhorar é pequena.
A azia será fiel companheira.
Não ter posição para dormir será rotina.
As idas nocturnas à casa-de-banho vão aumentar (ainda) mais.
A ansiedade tenderá a crescer. 

E isso... assusta-me porque creio que tudo isto, quando comparado à missão maior que me espera, tem uma importância do tamanho de uma cabeça de alfinete.