25 de novembro de 2014

Dia (em) cheio

Acorda. 
Pequeno-almoço.
Senta. Pedala. 
Bebe água. Pedala. 
Bebe água outra vez. 
Sai da bicicleta a arfar.
Banho. 
Roupa quentinha de andar por casa.
Montam a árvore de Natal. 
Tiram os enfeites do saco. 
Vêem se as luzes estão a funcionar. 
Põem os enfeites na árvore. 
Sorriem ao ver como está a ficar bonita. 
Almoçam. 
Arrumam a cozinha.
Escritório em casa. Mails. Telefonemas. 
Papéis para o arquivo. 
Ele sai para trabalhar. Ela fica. Mais mails. E ainda mais. 
Desliga o computador. Liga o mp3. 
Vai para o quarto dela. 
Delicia-se ao ver as roupinhas alinhadas no berço.
Abre um saco. 
Saem biberões. Fraldas de pano bordadas com carinho. 
Sapatinhos. Pantufas. 
Arruma tudo no lugar.
Ela chuta. Eu lancho.
Nova ronda. Abre um saco. 
Saem casaquinhos de lã macia. 
Outro e outro saco. 
Ele chega e sorri perante a confusão cor-de-rosa instalada no quarto dela.
Ela sorri e diz: "Só com o enxoval das primas, esta rapariga está vestida até aos 40 anos!"
Ele ajuda. 
Nos cabides pequeninos ele pendura uma peça e outra e outra.
Jantam. Arrumam a cozinha.
Nova ronda. Abre saco. Roupa para mais adiante. Volta a empacotar.
E assim até agora...

23:22 e as costas dela reclamam a valer.
Ela chuta. Eu bebo um copo de leite.
Preparar o almoço para amanhã levar.
Lavar os dentes. 
Passar creme na barriga e sussurrar palavras de carinho.
Um beijo terno e um "Boa noite" cheio de gratidão...

20 de novembro de 2014

Poupadinha!

São hilariantes as consultas com a minha médica!
Hoje o conselho foi: "Numa grávida, um iogurte líquido deve dar para três vezes!"

18 de novembro de 2014

O melhor fármaco que existe...

Hoje fiquei em casa. 
É uma das (poucas) vantagens de trabalhar de forma independente.
Apesar de ter bastantes coisas para pôr em ordem, a cabeça latejou até há pouco e só umas massagens e mimos do marido melhoraram a minha condição!
Já mais aliviada tenho estado no sofá com a cabeça dele encostada à minha barriga enquanto contemplamos das coisas mais maravilhosas da gravidez: sentir o bebé a mexer!

Ela tem estado activa há imenso tempo. 
O pai conta-lhe estórias, faz festas, dá beijinhos e a barriga dá saltos, muitos saltos! Conseguimos ver como ela muda de lugar.. ora para a esquerda... ora para a direita... um salto aqui... um pontapé acolá! 
Tem sido um festim! 

Apesar de poder tomar benuron, evito até à última e certo é que a plenitude destes momentos (já a três) foi mesmo o melhor medicamento que eu podia ter tomado hoje!
A isto juntou-se uma barrigada de riso quando me lembrei de um programa de TV onde várias mulheres não sabiam estar grávidas e pensado que se tratava de uma cólica malandra, acabavam com bebés recém-nascidos no fundo da sanita.....!!

17 de novembro de 2014

Nunca na vida ....

.... tive tanta vontade de levar uns bons pontapés!

Se não chutares de vez em quando, eles ficam preocupados!

Prematuridade

Sempre me considerei uma pessoa apressada e impaciente.
De há uns anos para cá esta tendência mudou e desde que engravidei sinto que as mudanças são ainda maiores. 
Dou comigo a ter um enorme prazer em desfrutar os momentos de forma muito mais pausada e serena.

Hoje, logo pela manhã, vi as notícias anunciando o Dia Mundial da Prematuridade. Recordei o tempo em que fui voluntária no Hospital da Estefânia e de um bebé prematuro que tive nas mãos. 
Era um de trigémeos e quase ninguém arriscava em lhe tocar. 

Eu, pelo contrário, sentia-me fascinada por aquele pequenino ser identificando-me com a sua pressa e impaciência para chegar ao mundo. 
A mão dele era do tamanho da ponta do meu polegar e apesar de algumas complicações, teve uma evolução favorável, tal como os casos que hoje reportava a televisão. Todos à excepção da pequena Margarida para cuja campanha solidária eu contribuí. 
Senti um aperto enorme e desliguei a TV.

Pedi à minha bebé que relaxe, que desfrute do casulo de Amor em que está transformada a minha barriga. 
Pedi-lhe tempo, paciência e serenidade. 
Mas a este dia, pedi que passe depressa, muito depressa.

Alimentar Afectos

Sexta e sábado à noitinha... 
A mesa posta. As velas acesas. 
Os pratos floridos e os copos vintage da Atlantis que raramente saem do armário.
Um par de horas na cozinha. 
O avental posto e uma mão cheia de temperos. 
O coração leve e sereno. 
A barriga já a ir contra o balcão. 
Ao longe o "Free Falling" do Tom Petty a soar no rádio.

Sexta...
Rever amigos de uma vida.
Abraçar as meninas que cresceram tanto.
Os nossos sorrisos cúmplices de quem diz "qualquer dia somos nós" quando uma delas entorna a água e puxa os fios da TV.
A alegria de receber tantos mimos para o sorriso que vai nascer.
Ouvir a mais velha pronunciar o nome da nossa bebé enquanto me faz festas na barriga.
Os nossos sorrisos cúmplices de quem diz "qualquer dia somos nós" quando uma delas entorna a sopa e se ri com ar maroto.
Uma despedida com a promessa de que é só um até já!

Sábado...
Íamos ser 4 mas numa surpresa... sentamo-nos 5.
Conversas e risos como se o tempo não passasse por nós.
O nosso entusiasmo a mostrar o quarto dela.
A alegria de um casamento que chegará para o ano!
Uma sobremesa bomba da qual só provei uma colherada.
A delícia que é ouvir os relatos das férias lá longe.
Uma despedida que dura uma hora enquanto continuamos a conversa no hall da entrada.

Domingo...
A mesa posta noutra casa.
Os sorrisos na porta da entrada quando a minha barriga entrou à minha frente.
Todas as tias maternas reunidas à mesa.
A avó que, não estando já entre nós, se fez presente.
Fotografias para a posteridade.

Assim foram estes dias. 
E como eu já uma vez disse: Quem disse que Amor não enche barriga?