15 de janeiro de 2015

Limites

Uma das associações com as quais colaboro dá apoio a pais em luto. É um trabalho que me tem fascinado mas é claramente uma missão muito dura.
No mês de Dezembro angariámos fundos para a Associação e o meu envolvimento foi grande. Ao longo deste ano tenho recebido o carinho destes pais e mães de coração sofrido e desde o primeiro momento fui acolhida de braços abertos.
Quando souberam da minha gravidez, abraçaram-me e disseram-me palavras bonitas que fizeram com que eu tivesse que engolir os soluços várias vezes. 
Uma das mães (de lágrimas nos olhos) disse-me: "Aconteça o que acontecer, agora será sempre sempre Mãe.."
Não lhe consegui responder e abracei-a com força. 

Numa das iniciativas da angariação de fundos conheci uma mãe recém chegada à Associação. Quando me dirigi a ela vi que olhava com grande atenção para a minha barriga (já enorme). 
Apresentei-me, perguntei-lhe o nome e ela respondeu fazendo-me uma outra pergunta:
"Posso tocar na sua barriga?"
O pedido chegou com um tom tão meigo e terno que lhe sorri abanando a cabeça afirmativamente. 
Ela fez uma festa e fechou os olhos enquanto esboçava um pequenino sorriso. 
Sentámo-nos e conversámos com naturalidade sobre o que muitos consideram ser impossível falar. Este trabalho exige perguntas difíceis, muito difíceis. Perguntar o nome do filho ou filha que partiu, como aconteceu, há quanto tempo. 

O filho desta senhora tinha morrido há um mês e com apenas três dias de idade.
Ao ouvi-la senti as pernas bambas, engoli em seco e o meu coração estremeceu. Por milésimas de segundo deixei de ser a psicóloga e senti-me apenas uma mulher a pouco tempo de abraçar a maternidade..

Elogiei a coragem que teve com tão pouco tempo de luto ter a iniciativa de procurar ajuda. Há pais que demoram anos nesta conquista. Falei-lhe no grupo de apoio, trocámos contactos e ela decidiu naquele momento que começaria a ser acompanhada por nós. 
Perguntou-me se eu estaria presente no grupo. Disse-lhe que estou sempre presente mas que iria depender do nascimento da minha bebé. Voltei a ver-lhe um pequenino e envergonhado sorriso e ela então disse-me: "Desculpe há pouco ter pedido para lhe fazer uma festa na barriga!"
Respondi-lhe que agradecia o gesto de carinho e despedimo-nos com um até breve.

Tenho ouvido muitas histórias na Associação. Todas obviamente tristes e tocantes.
Por vezes fico muito angustiada com este trabalho mas tenho aprendido a "desligar" (pelo menos tento) caso contrário daria em louca. Mas nesta mãe eu tenho pensado muito e, pela primeira vez, creio que não vou ser capaz de acompanhar o grupo como sempre faço...

Já tive momentos de muita tensão na minha vida profissional por isso sei o quão importante é conhecermos os nossos limites e aceitar que, por vezes, é preciso parar e aceitar as restrições que o momento nos impõe. 





12 de janeiro de 2015

Espero...

... que a nossa filha não aprenda este truque com a nossa gata.
Quando o "pai" a quer levar para a alcofa onde ela dorme com o mano felpudo, ela faz-se, literalmente, de morta!


8 de janeiro de 2015

6 de janeiro de 2015

Preparar o Ninho

... é uma fase normal quando se aproxima o nascimento de uma criança.
Na Natureza as fêmeas agitam-se e ajeitam o seu cantinho para receber as suas crias. Nos humanos alinham-se as prateleiras vezes vem conta, muda-se o lugar ao berço a cada dia que passa, a roupa sai e entra das gavetas várias vezes, organizam-se as coisas por cores, colocam-se etiquetas, compram-se cabides a condizer, etc, etc, etc...
Confesso que tenho alguns traços obsessivo compulsivos (tipo estender uma peça de roupa só com molas da mesma cor!) mas ao longo dos anos tenho feito um esforço para não ser escrava do perfeccionismo.
Este foi aliás um aspecto que trabalhei com afinco na formação em PNL pois creio que com uma criança em casa, e com o meu perfeccionismo extremo, a minha experiência de maternidade transformar-se-ia rapidamente num filme de horror...
Agora sinto-me mais leve quanto a isto e mudei muitos dos hábitos (excessivos) que tinha!
Giro é que o meu marido, que sempre foi um pouco a atirar para o desarrumado, está um primor nas arrumações... Quando fiz os seis meses de gravidez deu-se um click na cabeça dele e desde aí Deus meu... é vê-lo a arrumar as prateleiras, a ajeitar os cortinados, a fazer pinturas, a lixar as portas, a mudar rodapés  ... etc, etc, etc.
A última que me impressionou foi a gaveta das tampas dos tupperwares....! Antes, a confusão era tamanha que ela custava a abrir e agora está assim......!


Certo é que ele sempre colaborou nas tarefas cá de casa. Temos tudo super afinado nesse campo mas o arrumar propriamente dito sempre foi um desassossego. Disse bem, foi, porque agora sou eu que volta e meia levo uns "raspanetes" porque deixei as chávenas desalinhadas ou os sapatos pelo caminho! 
É mesmo verdade, não há fome que não dê em fartura...

28 de dezembro de 2014

Prendas "Só porque...."

Nunca gostei de prendas por obrigação. Não gosto de as dar e não gosto de as receber. 
Não me faz sentido o "só porque sim natalício";
Não me faz sentido o "mas é dia dos namorados":
Não me faz sentido "só porque é dia da mãe", "só porque é dia do pai";

Recentemente tenho recebido lembranças cheias de carinho e bem-querer e agradeço-as de coração... mas também há as prendas do "só porque vais ter um bebé"  e nessas também não consigo encontrar sentido..

Depois há as prendas inesperadas, e essas sim, enchem-me sempre as medidas. Das que recordo com mais carinho:

A minha pulseirinha de bebé que recebi no dia em que fiz 20 anos; uma relíquia guardada e oferecida pela minha tia;
Uma caixa de lichias que me chegou à caixa de correio quando vivia longe; surpresa do meu pai;
Os meus gatos de regresso após a lua de mel; uma doideira do meu marido que fez 700 km  num dia só para os ir buscar. 

Recentemente recebi outro presente carregadinho de emoção.
Tem 36 anos e foi a minha mantinha de bebé. 
Reconhecia-a apenas das fotografias e quando a vi nem queria acreditar. Outra das tias guardou-a e está como nova. Fofa, macia, com cheirinho a memórias passadas e já a aguardar por ti Conchinha... 


26 de dezembro de 2014

Este blog tem estado uma vergonha...

... cheio de pó e ervas daninhas!
Quando olho para a data do último post fico de queixo caído porque parece que ainda ontem aqui estive. Parece também que nada aconteceu desde o dia 3 e a verdade é que o mês tem sido rico em tudo! Vai daí que aqui fica um pequeno resumo dos últimos tempos....

Ciclos
Terminei dia 9 o projecto dos Direitos Humanos. 
Feita a 'contabilidade' foram 1266 alunos em dois meses! Uau! Não há-de a Hortelã sentir-se murcha (leia-se, cansada).
Se valeu a pena? Oh se valeu!
Confesso que me apaixonei por esta temática e que voltei a sentir a riqueza maior que é abrir os horizontes de alguém.







O Maior Presente
É mesmo o Agora!

Na conclusão da formação em Master de Programação Neurolinguística tive que modelar uma característica de alguém que admirava e sobre a qual queria aprender mais para a poder aplicar na minha vida.
A modelagem é um processo chave na Programação Neurolinguística e passa por analisar (por meio de uma série de técnicas específicas) o comportamento de alguém de forma a conseguir replicar uma característica/capacidade. 

Eu ao tempo que ando a tentar aprender a focar-me no momento presente e viver o agora, mas irra que é difícil!

Por isso escolhi modelar um Mestre Budista para ver se, entre outras coisas, aprendia a dizer AUM sem parecer (e me sentir) uma totó!

O mestre é português mas já correu mundo e estudou com o Dalai Lama. 
Recebeu-me na casa dele e estivemos várias horas (que me pareceram minutos) à conversa.
Que viagem! A conversa com ele foi fabulosa. Era ouvi-lo e babar por mais. Que doçura, que paz e que visão encantadora da vida.
Explorei técnicas, outros tipos de meditação e agora é continuar neste treino diário para não permitir que nada (ou quase nada) perturbe a minha paz..


Retiro
Depois do encontro com o Mestre Budista fui de novo para o Silêncio... não estava planeado uma coisa ser a seguir à outra mas calhou mesmo bem. Foi mais uma daquelas sincronicidades fantásticas que acontecem na vida.
Já é o 4º retiro que faço e continuo a recomendar a experiência. Desta vez vivi-a com outra intensidade. Nestes retiros o silêncio impera e costumo ir carregada com livros, bloco de notas, canetas e mandalas para pintar. 
Desligo telemóvel, não há TV, computador, nada que me ligue ao mundo cá fora. 
O plano é mesmo ficar a sós com o mundo interior e foi isso que fiz, e desta vez foi mais à séria. Talvez por ter estado recentemente com o Mestre, apesar de ter levado os livros, o bloco, as mandalas.... acabei por usá-los pouco ou nada.
Tentei, e por momentos consegui, apenas estar ali. Vivi sem distracções, apenas mergulhada no que estava a acontecer no momento. 
Tinha planos para terminar dois livros e não o fiz. 
Tinha planos para tirar imensas fotografias daquele local fantástico e não o fiz.
Tinha planos para pintar as mandalas novas que imprimi antes de sair de casa e não o fiz. 
Tinha mil questões para reflectir com o orientador (a única pessoa com quem falamos no retiro e, neste caso, alguém que já orientou 2 dos outros retiros que fiz e alguém que eu admiro imenso), e acabei por não falar com ele uma única vez que fosse. 
Tinha planos para ir caminhar perto da praia (é um retiro, não é uma prisão!) e não o fiz.
Tinha planos para dormir muito e não o fiz.
Noutra altura teria ficado aborrecida, como que defraudada comigo mesma por não ter conseguido concretizar os planos que levava na mala.
Em vez disso fiquei feliz com esta proeza que é viver sem a preocupação de ter que desfrutar das coisas, sem o stress de ter que aproveitar, de ter que fazer.... 
Perdi o foco nos resultados e vi a inutilidade das obrigações que impomos a nós mesmos, mesmo em tempos de descanso. 
Creio que também por isso o Blog ficou um pouco ao abandono estas semanas. 
Volta e meia pensava "Tenho que ir ao Blog".... mas acabei por nunca vir porque pura e simplesmente, nesses momentos, não me apetecia escrever. 
Saí deste retiro com a consciência mais plena de que a vida nunca está disponível senão no momento presente. MESMO. 


Conchinha

Não sei porque me refiro à minha bebé com este nome mas acontece desde que soube que aí vinha uma menina. Possivelmente será devido à minha forte ligação ao Mar ... deve ser!

Ora a Conchinha está óptima. Já pesa 1,966 gramas e é farta na cabeleira! É incrível como nem este pormenor escapa nas ecografias!
E nesse momento se foi a imagem do meu bebé imaginário!! 
Até ao momento idealizava uma carequinha mas, considerando o que vi na eco, e pensando que ainda faltam cerca de dois meses para ela nascer, creio que vem lá uma juba de leoa  que, tal como a mãezinha dela dirá muitas vezes: