18 de janeiro de 2015

Emoções Fortes Fortes

Conchinha, aquele gel frio e aqueles cintos esquisitos que puseram hoje na barriga da mãe serviram para saber de ti. O teu ritmo cardíaco está bom e já se registam algumas contracções. 
Acolheu-nos uma enfermeira de nome Vitória que aproveitou e nos mostrou todos os recantos da maternidade onde vais nascer.
Os papás saíram de coração aliviado mas com recomendações de descanso e atenção aos sinais de parto. Ainda é um pouco cedo mas, ao que parece, podes vir ao mundo a qualquer momento....
Chegados a casa, a mãe seguiu à risca o conselho da enfermeira e aventurou-se numa valente sesta. Dormiu profundamente e, melhor do que isso, sonhou contigo!

Eu e o papá estávamos num jantar com amigos quando a mãe sentiu a tua mão a empurrar a barriga. Com serenidade e um sorriso disse ao pai: 'A nossa filha quer nascer!'
Num passe de mágica já estávamos na maternidade. 
Noutro passe de mágica já estavas cá fora.. 
Pequenina, de lábios grossos e com cabelo farto e tão tão macio. 
Vestiram-te com a roupa que os papás escolheram para ti e vieste para o colo da mãe!
Afaguei-te o cabelo e cheirei-te. Falei contigo e chamei-te 'a minha rica menina'. Pegava-te sem medo e com delicadeza, como se ter-te no regaço fosse a coisa mais natural deste mundo...

Creio que estou pronta querida.
E tu?


15 de janeiro de 2015

Melodia

... esta não me sai da cabeça!
Conchinha, estarás para chegar........ subitamente?


Limites

Uma das associações com as quais colaboro dá apoio a pais em luto. É um trabalho que me tem fascinado mas é claramente uma missão muito dura.
No mês de Dezembro angariámos fundos para a Associação e o meu envolvimento foi grande. Ao longo deste ano tenho recebido o carinho destes pais e mães de coração sofrido e desde o primeiro momento fui acolhida de braços abertos.
Quando souberam da minha gravidez, abraçaram-me e disseram-me palavras bonitas que fizeram com que eu tivesse que engolir os soluços várias vezes. 
Uma das mães (de lágrimas nos olhos) disse-me: "Aconteça o que acontecer, agora será sempre sempre Mãe.."
Não lhe consegui responder e abracei-a com força. 

Numa das iniciativas da angariação de fundos conheci uma mãe recém chegada à Associação. Quando me dirigi a ela vi que olhava com grande atenção para a minha barriga (já enorme). 
Apresentei-me, perguntei-lhe o nome e ela respondeu fazendo-me uma outra pergunta:
"Posso tocar na sua barriga?"
O pedido chegou com um tom tão meigo e terno que lhe sorri abanando a cabeça afirmativamente. 
Ela fez uma festa e fechou os olhos enquanto esboçava um pequenino sorriso. 
Sentámo-nos e conversámos com naturalidade sobre o que muitos consideram ser impossível falar. Este trabalho exige perguntas difíceis, muito difíceis. Perguntar o nome do filho ou filha que partiu, como aconteceu, há quanto tempo. 

O filho desta senhora tinha morrido há um mês e com apenas três dias de idade.
Ao ouvi-la senti as pernas bambas, engoli em seco e o meu coração estremeceu. Por milésimas de segundo deixei de ser a psicóloga e senti-me apenas uma mulher a pouco tempo de abraçar a maternidade..

Elogiei a coragem que teve com tão pouco tempo de luto ter a iniciativa de procurar ajuda. Há pais que demoram anos nesta conquista. Falei-lhe no grupo de apoio, trocámos contactos e ela decidiu naquele momento que começaria a ser acompanhada por nós. 
Perguntou-me se eu estaria presente no grupo. Disse-lhe que estou sempre presente mas que iria depender do nascimento da minha bebé. Voltei a ver-lhe um pequenino e envergonhado sorriso e ela então disse-me: "Desculpe há pouco ter pedido para lhe fazer uma festa na barriga!"
Respondi-lhe que agradecia o gesto de carinho e despedimo-nos com um até breve.

Tenho ouvido muitas histórias na Associação. Todas obviamente tristes e tocantes.
Por vezes fico muito angustiada com este trabalho mas tenho aprendido a "desligar" (pelo menos tento) caso contrário daria em louca. Mas nesta mãe eu tenho pensado muito e, pela primeira vez, creio que não vou ser capaz de acompanhar o grupo como sempre faço...

Já tive momentos de muita tensão na minha vida profissional por isso sei o quão importante é conhecermos os nossos limites e aceitar que, por vezes, é preciso parar e aceitar as restrições que o momento nos impõe. 





12 de janeiro de 2015

Espero...

... que a nossa filha não aprenda este truque com a nossa gata.
Quando o "pai" a quer levar para a alcofa onde ela dorme com o mano felpudo, ela faz-se, literalmente, de morta!


8 de janeiro de 2015

6 de janeiro de 2015

Preparar o Ninho

... é uma fase normal quando se aproxima o nascimento de uma criança.
Na Natureza as fêmeas agitam-se e ajeitam o seu cantinho para receber as suas crias. Nos humanos alinham-se as prateleiras vezes vem conta, muda-se o lugar ao berço a cada dia que passa, a roupa sai e entra das gavetas várias vezes, organizam-se as coisas por cores, colocam-se etiquetas, compram-se cabides a condizer, etc, etc, etc...
Confesso que tenho alguns traços obsessivo compulsivos (tipo estender uma peça de roupa só com molas da mesma cor!) mas ao longo dos anos tenho feito um esforço para não ser escrava do perfeccionismo.
Este foi aliás um aspecto que trabalhei com afinco na formação em PNL pois creio que com uma criança em casa, e com o meu perfeccionismo extremo, a minha experiência de maternidade transformar-se-ia rapidamente num filme de horror...
Agora sinto-me mais leve quanto a isto e mudei muitos dos hábitos (excessivos) que tinha!
Giro é que o meu marido, que sempre foi um pouco a atirar para o desarrumado, está um primor nas arrumações... Quando fiz os seis meses de gravidez deu-se um click na cabeça dele e desde aí Deus meu... é vê-lo a arrumar as prateleiras, a ajeitar os cortinados, a fazer pinturas, a lixar as portas, a mudar rodapés  ... etc, etc, etc.
A última que me impressionou foi a gaveta das tampas dos tupperwares....! Antes, a confusão era tamanha que ela custava a abrir e agora está assim......!


Certo é que ele sempre colaborou nas tarefas cá de casa. Temos tudo super afinado nesse campo mas o arrumar propriamente dito sempre foi um desassossego. Disse bem, foi, porque agora sou eu que volta e meia levo uns "raspanetes" porque deixei as chávenas desalinhadas ou os sapatos pelo caminho! 
É mesmo verdade, não há fome que não dê em fartura...